Thelmo Fernandes é Jetur na minissérie. Foto: Michel Angelo/Record

Se José (Ricky Tavares/Angelo Paes Leme) sofre horrores quando é vendido pelos irmãos, a culpa é somente de um homem: Jetur, o negociante de escravos que faz atrocidades com o filho de Jacó (Celso Frateschi) e o leva para o Egito. E ficou sob responsabilidade de Thelmo Fernandes a tarefa de dar vida ao vilão em José do Egito.

— Eu sou um cara que, por uma pechincha, comprei o José [risos].

Thelmo conversou sobre o novo trabalho com o R7 e demonstrou profunda alegria por encarnar o homem sem escrúpulos. Este é o terceiro trabalho do ator na Record e, para sua felicidade, conseguiu aparecer em distintos papéis.

— Isso é muito enriquecedor não só para meu trabalho como ator, mas para a emissora. Mostra versatilidade, o que é bacana para pensar em coisas futuras.

Na história, Jetur está em dívida com Jacó e acaba encontrando os seus filhos no deserto. O negociante acredita que a “reunião” acabará em briga, já que roubou mantimentos de Jacó, mas os planos são totalmente diferentes.

— De repente, os irmãos vieram com uma proposta de vender o caçula para ele como escravo. Jetur vê a oferta como um ótimo negócio. O que é bacana do personagem é que ele vai se transformando também. O José consegue mudar o Jetur. Ele o maltrata muito durante a viagem, mas depois eles se reencontram em uma passagem de tempo e Jetur vê em José uma coisa boa. Ele causa um efeito transformador no personagem.

Essa mudança não acontece apenas com Jetur. Vários personagens que convivem ao redor de José acabam tocados por ele e sua fé de alguma forma.

— O Jetur não se conserta totalmente, ele não tem jeito. Mas em um momento ele vira quase um confidente de José. Gravamos juntos na prisão e foi uma das cenas mais bonitas que eu fiz para a minissérie. José fala sobre a saudade que ele tem da família. Eu conversei com o Angelo [Paes Leme] antes da cena e parece que Jetur sofreu algo parecido com José no passado, mas ele é tão fechado que não fala nada.

Thelmo rodou cenas de Jetur também no Deserto do Atacama, no Chile, e pode tirar a prova de que as roupas exageradas que eles usavam na época são a salvação para quem vive debaixo do sol o dia inteiro.

— O figurino é cheio de lenços e panos era porque esses viajantes precisavam se proteger. Foi ótimo comprovar que, na prática, isso funciona, porque no Atacama eu não sofri tanto com o calor quanto achei que fosse sofrer. A pele também era muito castigada e os dentes totalmente podres. A maquiagem dá um aspecto de vilania no personagem sensacional.

Parte da caracterização, Thelmo conversou com Vavá Torres, supervisor de maquiagem da trama, e deixou os cabelos e barbas crescerem para evitar o megahair e pelos falsos. Ao todo, ele está cerca de seis meses sem se barbear.
No mais, Thelmo fez questão de chamar o público para conhecer a história de José, que chega às telas da Record no próximo dia 30, às 21h30.

— Que luz que José tinha. Ele passou pelo pior dos sofrimentos, que foi ser abandonado por sua família (os irmãos, no caso), e conseguiu superar isso e continuar focando no bem. Tem gente que hoje em dia, por muito menos, desiste de tudo. E José, diante das dificuldades, ainda tinha fé. Uma das coisas que eu aprendi é que a gente tem esse poder transformador de José. Se a gente quiser mesmo, a gente consegue mudar muita coisa ao nosso redor.