Crítica do filme Cilada.com – Blog Laboratório POP

Escrito por Thelmo Fernandes . Publicado em CLIPPING CINEMA

Todo mundo já ouviu falar que, em tempos de redes sociais e de facilidade de produção e distribuição de imagens e vídeos, todo cuidado é pouco. E que acabou a época em que era preciso ser uma celebridade para ser alvo dos flashes. Para o bem ou para o mal, qualquer mortal pode ter os quinze minutos de fama proclamados por Andy Warhol.

 

Em Cilada.com, Bruno (Bruno Mazzeo) é flagrado traindo a namorada durante uma festa de casamento. Revoltada com o vexame público, Fernanda (Fernanda Paes Leme) publica na internet um vídeo em que aparece transando com o ex-namorado, numa relação que durou menos de quinze segundos por conta da ejaculação precoce dele.

 

A cena faz sucesso na internet e Bruno vira uma celebridade instantânea. Para se livrar da péssima fama e conquistar novamente a namorada, o publicitário vai precisar provar que é bom de cama e que é capaz de dizer “eu te amo”. Nessa tentativa, claro, ele vai se meter nas maiores ciladas.

 

Derivado da série homônima do canal Multishow, Cilada.com escapa de ser apenas um episódio de maior duração. Ficaram de fora, por exemplo, os comentários do antropólogo e do viciado em academia, que não funcionariam no cinema. Também não está presente Renata Castro Barbosa, uma das namoradas de Bruno na sitcom, e Débora Lamm não faz mais que uma participação.

 

O roteiro, assinado por Bruno Mazzeo e Rosana Ferrão com colaboração de Marcelo Saback e José Alvarenga Jr, tem algumas piadas eficientes e frases que trabalham bem as palavras e expressões como recursos cômicos, mas peca em referências visuais manjadas, como a peruca estranha do personagem de Fulvio Stefanini e a alusão à cena das sombras de Os Normais, também dirigido por Alvarenga Jr.

 

Ignorar a cartilha do politicamente correto, que tem castrado muitos comediantes, também é um acerto do grupo de roteiristas. A falta de pudor ao abordar temas como homossexualidade e travestismo, ainda que brevemente, também arranca risos da plateia, mas não chega perto da anarquia completa de Se beber não case. O único risco é acabar apelando para piadas pesadas e o uso excessivo de palavrões. E é neste último item que o filme escorrega, mas não chega a cair.

 

Além de Bruno Mazzeo e Fernanda Paes Leme, o elenco conta com nomes de força da comédia nacional, como Luís Miranda, Sérgio Loroza, Dani Calabresa, Fabíula Nascimento e Thelmo Fernandes. Este último não é muito conhecido, mas sua habilidade para o humor é latente desde a primeira aparição em cena.

 

Parte de uma trilogia que começou em 2010 com o fraco Muita cama nessa hora e vai terminar ano que vem com E aí, comeu?, Cilada.com não tem qualquer pretensão de discutir a força da internet, é apenas uma comédia de costumes divertida.